Eu resolvi escrever um blog, pois daqui cerca de 3 meses irei de au pair para a Alemanha e gostaria de ter algumas recordações de algo que parece que será tão decisivo em minha vida.
Como meu namorado já disse que eu estava enchendo o saco dele de tanto falar em tal viagem (que inclusive não será a melhor cosia do mundo no que diz respeito à um namoro), escrevo aqui pra não ter tanta necessidade de tratar do assunto com outras pessoas.
Faz cerca de dois anos que decidi que queria fazer um intercâmbio para a Alemanha... faz cerca de três que estudo alemão. Entretanto nunca me senti preparada pra tal... resolvi, antes de mais nada, estudar um pouco mais "em casa" para conseguir atingir um bom nível de fluência com a experiência, visto que uma viagem e a estadia na Europa tende a ser tão cara para moradores da América Latina... eu simplesmente não posso desperdiçar essa oportunidade voltando com um alemão "mais ou menos".
De todo modo, a vida é mais complexa do que saber ou não bem uma língua para viajar pro exterior, e eu gostaria de ter ido já há um tempo, mas só consegui me organizar agora... Além disso, eu tinha esperanças de conseguir uma bolsa de estudos pela faculdade, mas devido à uma série de problemas políticos e econômicos acredito que este é um plano com o qual não posso contar - antes cortarem bolsas de intercâmbio que bolsas de permanência estudantil, e como ainda por cima a área de Humanas é tão pouco valorizada e recebe tão pouca verba para certas coisas, seria besteira esperar por uma bolsa que pode não chegar nunca (formamos professores de língua estrangeira que muitas vezes nunca tiveram a experiência de morar um mês sequer em um país que fale a língua que aprendeu!). Caso eu consiga, algum dia, uma bolsa de estudos universitária para voltar ao país, tanto melhor! Caso não consiga, pelo menos já tive a experiência.
Pois bem: em uma mistura de esperar talvez conseguir uma bolsa, o fato de achar que não sabia alemão bem o suficiente e tentar manejar algo pra quando eu voltar pro Brasil não ficar ao leo, adiei minha viagem até agora. E digo que não me arrependo, mas também, se não for agora, tenho medo de não ser nunca.
Me inscrevi em um site de Au pair, pois a agência da qual eu tanto ouvi falar, por algum motivo, fechou.. O que, de início, me deu mais medo ainda de ir, visto que não teria nenhum respaldo de nenhuma agência, mas, como já disse, era agora ou nunca. Enfim.. faz cerca de duas semanas que me inscrevi e cerca de uma semana que conhecia família que será minha Gastfamilie.. pra ser sincera estou com medo disso, me pareceu tudo muito rápido.. mas algumas pessoas me disseram que as vezes é assim mesmo e que o importante é fazer uma conversa no Skype e assim conhecer um pouquinho sobre eles, e mais que isso não é possível prever o futuro com a família. O que sei é que atualmente estou fazendo de tudo para não criar grandes expectativas, pois eu sei que vida de Au pair não é um mar de rosas.. pelo contrário, dizem que há muitos problemas que enfrentamos todos os dias: seja com estranhamento cultural, seja com a família em si. Se eu quiser conforto, é melhor não sair de casa.. e isso pode, inclusive, me gerar muito mais desconforto futuramente.
Hoje foi meu segundo Skype com a família: as crianças parecem ser muito tímidas, são um menino e uma menina gêmeos, de 10 anos, e um menino de 12... Com o menino de 12 não tive chance nenhuma de conversar, acredito que ele ache que serei tipo uma babá chata que deve ser contratada para seus irmãos mais novos, mas que ele não tem nada a ver com isso... espero me dar bem com ele, independente do que ele pense sobre Au pairs.. também por que serei a primeira dessa família. Os gêmeos de 10 anos já falaram um pouco mais comigo.. acho que foram com a minha cara, mas também não tem como saber, né? Eu mal entendo o que eles falam, pois além da conexão de internet não ser muito boa, eles falam baixinho e com muito sotaque da região.. (pra quem só entende Hochdeutsch é foda, né?). A mãe da família é muito jovem, tem cerca de 33 anos, cheia de percingis e tattoos, e não parece a pessoa mais simpática do mundo, embora aparentemente ame os filhos e fica super feliz quando comento que eles são fofinhos, e o pai.. bom, ele não deu as caras nunca, deve ser um sujeito estranho.