terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre o tal "outono"

Na verdade deve fazer o que.. uns 3 ou 4 dias que o outono começou oficialmente, mas desde que cheguei no país sinto que em relação ao clima não será nada fácil.
Primeiramente imaginei: "Ah! vai tá frio mas nem tanto...".. Doce ilusão. confesso que está bem difícil de lidar com esse frio. Eu sempre digo que agora, no começo do outono, o frio está parecido com o que há no inverno brasileiro, e isso me assusta bastante, pois imagino como será do meio pro final, se já está assim agora! 
Normalmente preciso de casaco, meia calça e botas (as brasileiras, pro inverno brasileiro) além de muita coragem pra sair na rua fazer minha caminhada, ir pra escola de idiomas, viver.. haha. 
E o pior de tudo é que, como o sol brilha e quase o dia todo ainda, dá uma grande impressão de que está calor, principalmente por que a casa (como qualquer outra) é vedada... Então aqui dentro a temperatura é gostosa, e lá fora não há santo que ajude! E o sol brilhando, pássaros cantando, crianças na rua, como se nada acontecesse... Bom, na realidade de fato nada acontece pra eles, né? 
Eu só posso esperar que o clima mude devagar o suficiente pro choque não ser tão grande.. pois eu sei que algum problema eu terei.  

sábado, 26 de setembro de 2015

Sobre os primeiros 10 dias

Até agora não tive grandes problemas com a família, eu entendi algumas coisas erradas (o que me levou a fazer algumas coisas erradas), fiz algumas coisas mal feitas aos olhos da Gastmutter, esqueci de fazer outras.. o que a deixou visivelmente desconfortável... mas acredito que sejam coisas passíveis de conversa e de se arrumarem. Me dou relativamente bem com as crianças.. elas são só um pouco tímidas e quietas demais.. e como eu sou uma tremenda preguiçosa, acabo não tentando tanto quanto deveria ser amiga delas... erro meu, eu sei, mas acho que é um pouco cansativo sempre ficar atrás dos outros, quando se vive com uma família que não é a sua, é necessário uma boa dose de ânimo para agradar e estar sempre presente.
Posso dizer que tive muita sorte com a família na qual vim parar. O trabalho de limpeza é relativamente pouco.. em cerca de 2 horas ou duas horas e meia, na parte da manhã, eu termino tudo, depois faço almoço e arrumo/tiro a mesa e na parte da tarde meu trabalho principal é jogar e brincar com as crianças, o que é de boa, visto que elas curtem jogos parecidos com os que eu curtia quando adolescente e visto que elas não são mal criadas.. São sim um pouco mimadas, não comem direito, gostam das cosias do seu jeito e não movem uma palha sequer pra manter a casa limpa.. sobrando tudo pra aupair aqui.. Mas de um modo geral é muito mais tranquilo que muita coisa que vi e ouvi por aí.
Além disso, vira e mexe os pais me dão algum presente, ou sugerem alguma coisa.. esta semana ganhei chocolate, sorvete e, pasme, um casaco de inverno superbonito e que eu achei que teria de comprar com o meu dinheiro.. agora eu só precisarei comprar toodo o resto para o inverno rigoroso daqui.. tendo isso em vista, eu sinto que a família quer que eu me sinta bem com eles, que eu me integre, mas acho que as vezes eles se esquecem que eu sou uma mulher adulta com uma vida e hábitos muito bem consolidados e que sendo assim eu precisaria mais do meu espaço (sem ter cara feia ou gente me chamando o tempo todo...).
O real problema de ser aupair pra mim, talvez seja justamente o pouco espaço próprio que se tem, principalmente quando se mora em um Dorf e não tem muito pra onde ir, pra onde fugir quando você quer ficar solitária.
Quinta-feita passada eu me sentia tão mal e tão sufocada de estar sempre com a família que minha única alternativa foi sair fazer uma caminhada, pois não havia mais nenhuma possibilidade. Mas que foi muito proveitosa.. vi até um cervo que passou correndo a uns poucos metros de mim, coisa que nunca tinha me acontecido antes e que me deixou alegre por umas boas horas.. Digo que me ajudou acalmar os ânimos, mas acredito que preciso de uma outra já... talvez hoje mais tarde ou domingo. Sei que esta parece uma forma saudável e interessante de ficar sozinha, mais do que ficar trancada no meu quarto ou comer um quilo de chocolate pra me acalmar.

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Ontem eu peguei pela primeira vez o transporte público aqui: trem e ônibus, e acredito que estava tão tensa que as pessoas percebiam que eu era estrangeira.. morri de medo de pegar uma multa, pois não sabia se precisava ou não autenticar o ticket que comprei.. Estranhamente um ônibus e um trem atrasaram 5 minutos.. o que achei engraçado, pois um dia antes uma mulher me disse para ficar atenta à pontualidade.. hahahah
No fim deu tudo certíssimo, conheci uma nova cidade e o transporte público deles... Além de uma cerveja sabor limão que pelamor.. que coisa ruim.. parecia refrigerante.. hahah! Comprei também um quadrinho do Alien (o volume 2 de 4.. espero achar os outros.. haha) pra tentar ler algo de meu interesse e tentar ajudar no alemão.
Entretanto, eu sinto que nada disso substitui ter sua própria casa, seu cantinho para ficar tranquila quando dá... pois até mesmo quando estou de folga preciso participar ativamente da vida familiar.. e isso as vezes é muito cansativo, visto que na sua casa mesmo, na casa de seus familiares, as pessoas tem mais liberdade de ficarem sozinhas quando querem. Agora mesmo escrevo este post da sala de casa para que eles não achem ruim eu ficar no meu quarto.. mesmo sendo meu dia de folga. 
Por enquanto estou buscando formas de conseguir me sentir "internamente" confortável, ter meu tempo e tal, sem ignorar ou causar desconfortos na família, visto que eu percebi que quando tenho meu tempo só meu me sinto mais disposta a ser amigável e simpática com eles.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sobre 15.09.2015

Será que escrever pode ser uma boa ideia agora? Está é minha segunda noite, e foi meu primeiro dia na Alemanha. Infelizmente meu computador está com problema de atualização do Windows e não está ligando... Por isso tive de me virar pra escrever aqui.
Ambas as noites que passei aqui acabei acordando de madrugada, acredito que pela diferença de fusos horários... Hoje acordei mais aflita que ontem.
Chegue na Alemanha terça-feira, 15.09, por volta das 18h40. Fui parada e questionada sobre o que vim fazer aqui logo na entrada. Por sorte eu tenho um pouco cara de criança ainda e o  meu alemão não é tão deplorável assim, então consegui me comunicar bem e com certa segurança, e assim o seu puliça foi gentil e me liberou rápido. Fico imaginando duas coisas: de tantas pessoas, por que ele foi parar justo eu? Gosto de acreditar que é devido à minha cara não-européia-pobre-terrorista, o que me deixa com um pouco de raiva de uma possível xenofobia. Outra coisa que imagino é, como será que seria o tratamento se eu não falasse tão bem (pior) alemão? - devo lembrar de avisar amigos a esse respeito.
Depois de tal acontecido, encontrei a família no saguão e acredito que eles são como imaginei: sem muitas frescuras e relativamente simpáticos. Minha surpresa e decepção foi o fato de somente a menina ter ido ao aeroporto, os dois meninos preferiram ficar em casa vendo tv e jogando - acredito que eles não estão muito aí pra mim (inclusive devido à falta de contato que tivemos durante o dia).
De toda forma, tive um jantar muito bom quando cheguei, macarrão à bolonhesa com catchup de cury, uns lanchinhos de wurst e muita água com gás (credo!), além de um banho quentinho.
A família dorme muito cedo por causa da padaria, e aí eu tive das 21hrs até as 23h30 para arrumar meu quarto e conversar com meu namorado sozinha e tranquila. O problema foi a confusão com os fusos horários: assim como hoje, eu acordei depois de umas duas horas de sono e fiquei um tempo sem conseguir voltar a dormir. Inclusive acordei uma hora mais tarde do que queria, e por que a Gastmutter me acordou. Por sorte ela não ficou brava e nem nada, pelo contrário, o dia todo esteve muito simpática, fomos a muitos lugares resolver burocracias e ela inclusive comprou suco de maçã e água sem gás pra mim, o que somado aos presentinhos que recebi (chocolate, chaveiro, um cartão de boas vindas, um desenho, um caderninho e um artesanato), foram ótimas aquisições.. muito nett da parte deles.
O dia em si transcorreu muito bem, brinquei e conversei com as crianças, joguei um jogo que , aparentemtente, só eu achei divertido, levei um dos meninos pro futebel, ajudei a menina na lição de matemática, tentei mostrar jogos de computados pros meninos e fiquei bem impressionada sobre como eu consegui me comunicar: não foi bem, mas de um modo bem razoável, e muito melhor do que pensei que seria, quando falavam Hochdeutsch eu conseguia me virar bem.. Até entendi algumas coisas na televisão... Espero somente que melhore muito!
O que realmente me incomoda é que a casa e o que estão me proporcionando e disponibilizando é muito bom: simpatia, um quarto enorme, um banhei muito bem equipado (com banheira e tudo) só meu, e eu tenho medo de não conseguir atender as expectativas deles: limpar os quartos, cozinhar, ser companheira (uma boa companheira) das crianças. Como os benefícios e o tratamento são muito bons, a exigência também pode ser, assim como a quantidade de serviço. Fiquei o dia todo com medo, pensando nisso, não quero dever nada a eles, e também tenho medo de não dar conta. Não dei conta hoje nem de acordar cedo com as crianças... espero que amanhã isso não se repita, mesmo sendo agora quase 3 horas e eu ainda não tenha conseguido voltar a dormir. Mal sehen...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Sobre o visto

Acabei de receber um e-mail dizendo que posso passar na Embaixada pegar meu visto! Nem consigo acreditar que deu tudo certo. Agora só preciso esperar o dia da viagem em si...
Eu nem sei descrever o quanto um simples e-mail me deixou feliz, não estou conseguindo me conter, já liguei pra um monte de amigos e familiares que, nesse exato momento, devem achar que eu estou um pouquinho desequilibrada.. hehehe. Mas tudo bem. O problema agora é continuar normalmente com minhas obrigações, a euforia é tanta que acredito que é difícil simplesmente deixar isso de lado e ir tocando o restinho de tempo que tenho aqui no Brasil. 
Agora vou começar meu processo de procurar por passagens baratas o que, pelo que vi, será uma tarefa difícil, visto a atual cotação do dólar, vai ser uma corrida contra o tempo pra não deixar a cotação subir muito e ficar impossível de pagar. 
Já começo a fazer planos de como serão meus últimos dias por aqui: primeiro muitas provas e trabalhos da faculdade pra que eu possa viajar tranquila, depois um bom encontro com meus amigos, pra se despedir de todos e ter um ultimo momento (por enquanto!) com eles por perto. Em seguida preciso dar atenção pra minha família, estão tão apreensivos quanto eu, acho que sou a primeira pessoa a ir por conta própria pro exterior passar uma temporada lá sozinha. E por ultimo, mas em hipótese alguma menos importante, meu namorado, que passará meus últimos dias aqui no Brasil comigo e minha família... eu tenho a impressão que deixa-lo vai ser o mais difícil de tudo...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Sobre expectativas

Uma das coisas que eu realmente gosto a respeito da minha Gastfamilie é que eles sempre me mandam mensagens, parecem que querem realmente que eu me sinta confortável largando tudo aqui no Brasil e indo pra lá. Depois de nosso segundo contato por Skype eles já me enviaram o número de celular, o que possibilitou um bom contato por Whatsapp.
Eles me contam das mais variadas coisas a respeito de sua rotina e estilo de vida: os problemas para dormir da filha e seu gosto por cavalos (o que já ouvi dizer é muito comum pra meninas alemãs), o interesse por futebol de um dos filhos e como ele e a irmã brigam por tudo (lembra muito eu e meu irmão) e, por fim, como o filho mais velho só pensa em ficar no computar e no celular o tempo todo, típico adolescente de classe média de quase qualquer lugar, acredito.
Acho maravilhoso como eles parecem (posso estar enganada) uma família de hábitos simples, com uma vida pacata e sem grandes luxos. Também me agrada pensar que estarei em um pequeno Dorf, o qual me proporcionará muito contato com a natureza e tranquilidade... eu odeio o caos das cidades grandes, então acho que será que uma boa experiência, também, por ficar perto de Munique , eu posso experimentar um pouquinho de outras coisas menos.. pacatas.. hahahah!
Enfim, acho que já disse que sou a primeira au-pair da família e, deste modo, eu sinto que estou aprendendo junto com eles como será ser uma estranha na casa de estranhos.. e me parece que eles estão fazendo de tudo pra que eu não me sinta assim tão estranha, afinal de contas.
Eu sempre tento mantes as expectativas moderadas, tento não pensar que será tudo lindo e maravilhoso, que eu terei muito trabalho pela frente, que a adaptação pode ser difícil, que eles podem achar os costumes brasileiros esquisitos demais, ou que as crianças não sejam exatamente os doces que parecem ser... Mas confesso que as vezes é difícil, que eu me pego fantasiando como serão as pequenas coisas nessa nova experiência.. coisas como o por do sol da futura varanda do meu futuro quarto, uma tarde agradável com as crianças, na qual nós nos divertiríamos contando coisas bobas uns pros outros e eles ficariam impressionados de como as coisas são tão diferentes e tão parecidas por aqui e, é claro, o possível primeiro natal com neve da minha vida.. ^^ 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sobre minhas escolhas

Falta bem pouco pra eu ir pra Alemanha, cerca de, não sei.. um mês, mais ou menos.. e eu ando muito aflita com alguns pontos...
Eu sempre fui uma pessoa meio lenta, sempre dormi até tarde e fiz as coisas do jeito que me dava na telha: cozinho a hora que quero e do jeito que quero, tomo ou não café da manhã, arrumo meu quarto e minha casa só uma vez por semana, e as vezes nem isso (muitas vezes meu quarto fica em ultimo plano e acaba sendo arrumado ~nunca~).. Enfim, sou a típica desleixada... ok, no que se trata de serviços domésticos, pelo menos, é assim. 
A respeito de crianças, então, bem... não é que eu me dê mal ou bem com elas, vai depender muito da criança, pois eu sou um pouco fechada, e se vejo que alguém não me dá espaço, eu procuro não forçar, justamente por que eu odeio que forcem uma aproximação comigo quando quero ficar sozinha. Logo, se a criança não gosta de puxar assunto, pelo menos até então, eu nunca puxo. Crianças são pessoas tanto quanto a gente, e não entendo por que, muitas vezes, não respeitamos certos limites que elas nos impõe.
Bem, é claro que não estou dizendo que é bom deixa-l ao léo, também por que eu serei paga pra cuidar delas, mas também acho muito importante preservar-lhes os espaço.
Diante de tais fatos, muitas vezes eu me pergunto: por que raio eu estou indo ser au-pair? Definitivamente eu não ou a cosia que mais se encaixa no perfil de au-pair. Eu preciso muito me esforçar pra fazer as cosias darem ceto, pois ser au-pair pra mim não significa cuidar de crianças, e sim ter uma experiência no exterior.... E sei que isso não é bem assim, que eu vou primeiramente cuidar de crianças e depois ter essa tal bendita experiência.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Sobre a entrevista no consulado

Sabe que não foi tão ruim?
Como já estudo alemão a um tempo, na real eu tive a sensação que foi só chegar, ter uma conversa banal e informal com alguém que fala alemão muito melhor que eu e se esforçava pra que eu a entendesse. Visto que o mínimo que precisa é o nível a1 e eu já devo ter quase b1, acredito que os entrevistadores do consulado estejam acostumados com pessoas de variados níveis.. o que facilitou muito.. 
Bom.. na realidade eu ouço muitos relatos de pessoas dizendo que eles fazem três perguntas e tal, mas como eu falei tudo em alemão com minha entrevistadora e como o meu entendimento da língua é bom, mas nem tanto, eu num saberia dizer quando começou e quando terminou a entrevista formalmente falando. Ela perguntou coisas como a idade das crianças, por que e por quanto tempo eu aprendo alemão, o endereço da casa na qual vou morar, quando eu pretendia viajar, se tinha seguro já ou não e, por fim, me mostrou uma lista com números de telefone e pediu pra eu ler um dos telefones (pra saber se eu sei ler números).. mas como nós já tínhamos falando de outras coisas e ela viu que eu sabia o que tava fazendo, ela quase leu os números por cima da minha leitura pra acabar logo e já me dispensou...
Agora eu acredito que seja só esperar o resultado do visto.. mas pelo que o cara falou, eu só não o receberei caso a família desista de ter au pair.. então eu posso me considerar praticamente com um pé na Alemanha.. hahaha!

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Existem algumas coisas agora que me perturbam as ideias.. e uma delas é a grana que terei de desembolsar com as passagens.. Gente, o que é isso? Por sorte eu tenho alguma coisa guardada, mas eu fico pensando como nós brasileiros estamos acostumados a NÃO viajar, pois é tudo muito caro, viajar é um luxo e ponto. É complexo pensar que muitas pessoas não podem viajar nem dentro do próprio país sem ser extorquido.. e ir pro exterior ainda.. vixi..

Além disso, o fato da moeda brasileira ser tão mais fraca que a européia é algo que pode, potencialmente, ser um problema.. espero que não, que corra tudo bem e que eu num precise nunca recorrer a ajuda de ninguém.. mas as vezes eu penso que lá eu vou ser um pessoa com muito menos recursos do que sou aqui e que isso acaba sendo uma situação meio incomoda.. mas tenho esperanças que sejam só preocupações mais ou menos fúteis e que meus problemas de verdade lá serão outros.. só chegando lá mesmo pra ver....

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sobre parecer uma idiota e sentimento de perda

Eu acredito que eu não posso ter medo de parecer idiota. Ontem eu estive com um cara que fala alemão como lingua materna e me dei conta do quão idiota eu pareço falando alemão... Definitivamente meus primeiros dias lá não serão fáceis.. e olha que eu já estudo a muito tempo... parece que eu não sei nada. Será um problema só meu esse? Acredito que não.. mas eu acho engraçado como pode ser difícil falar coisas simples em uma lingua que você não domina.

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Hoje também foi dia de ligar no consulado alemão e perguntar sobre burocracias. Já tenho toda a papelada e em breve marcarei a minha visita pra tentar tirar o visto.. inclusive escrevi minha carta de motivação, que diga-se de passagem ficou zuada.. mas quem se importa? Acho que tá inteligível, só que bem boba... de novo eu parecendo idiota por não saber bem uma língua que estudo já ha tanto tempo. Mas eles também não esperam uma nova Goethe, então foda-se. Um dia quem sabe eu não escrevo algo digno de uma espécie de revista Caras alemã? Confesso que seria um grande avanço.

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Eu ando com medo também de como será isso de ficar longe do meu namorado. Meu pai sempre procurou me ajudar a pensar na vida e por isso conversamos muito. Hoje, depois de passar a noite com meu namorado, eu acordo e vejo que meu pai mandou uma mensagem no face, dizendo que queria conversar comigo sobre a possível venda dos móveis que possuo aqui na minha rep. Na hora meu coração disparou.. fiquei pensando se ele achava que meu namoro não era capaz de aguentar um ano e que por isso eu deveria vender minhas coisas, em vez de deixar meu namorado cuidando delas.
Por fim, quando pudemos conversar, percebi que era só uma preocupação com os móveis de fato, e não com meu namoro.. o que me aliviou por um lado, mas me deixou apreensiva com a possibilidade de imaginar que posso perde-lo.
Além de me deixar ainda mais visível o quanto eu estou preocupada com a situação. É um ano que ficarei fora.. muita coisa se perderá, muitas se renovarão, outras tantas vão se modificar.. e eu estou com medo.. realmente com medo.. parece-me que minha vida nunca mais será a mesma.. Em aspectos bons e ruins.. e neutros.. visto que são de cosias neutras que a vida é feita.
A experiência no exterior pode ser uma cosia muito grandiosa na vida de alguém que tem o dinheiro contato pra suas atividades cotidianas e precisou se esforçar muito pra juntar grana pra ir.. e, sendo uma experiencia grande, a preocupação também é grande.. tanto com o que fica, quanto com o que se vai encontrar.. e hoje pe dia de eu me preocupar com o que deixarei aqui.. mas vejam bem: deixarei, não abandonarei... ou assim espero que não o faça. Eu amo muito meu namorado.. muito mesmo, e gosto muito de todo o resto que tenho por aqui.. não gostaria de deixa-los simplesmente por deixa-los e não gosto da ideia de que os estou abandonando. Eu gosto de pensar que estou simplesmente indo "ali" e já já volto. E acho que será assim que vou encarar as coisas.

Was ist das?

Eu resolvi escrever um blog, pois daqui cerca de 3 meses irei de au pair para a Alemanha e gostaria de ter algumas recordações de algo que parece que será tão decisivo em minha vida.
Como meu namorado já disse que eu estava enchendo o saco dele de tanto falar em tal viagem (que inclusive não será a melhor cosia do mundo no que diz respeito à um namoro), escrevo aqui pra não ter tanta necessidade de tratar do assunto com outras pessoas.

Faz cerca de dois anos que decidi que queria fazer um intercâmbio para a Alemanha... faz cerca de três que estudo alemão. Entretanto nunca me senti preparada pra tal... resolvi, antes de mais nada, estudar um pouco mais "em casa" para conseguir atingir um bom nível de fluência com a experiência, visto que uma viagem e a estadia na Europa tende a ser tão cara para moradores da América Latina... eu simplesmente não posso desperdiçar essa oportunidade voltando com um alemão "mais ou menos".
De todo modo, a vida é mais complexa do que saber ou não bem uma língua para viajar pro exterior, e eu gostaria de ter ido já há um tempo, mas só consegui me organizar agora... Além disso, eu tinha esperanças de conseguir uma bolsa de estudos pela faculdade, mas devido à uma série de problemas políticos e econômicos acredito que este é um plano com o qual não posso contar - antes cortarem bolsas de intercâmbio que bolsas de permanência estudantil, e como ainda por cima a área de Humanas é tão pouco valorizada e recebe tão pouca verba para certas coisas, seria besteira esperar por uma bolsa que pode não chegar nunca (formamos professores de língua estrangeira que muitas vezes nunca tiveram a experiência de morar um mês sequer em um país que fale a língua que aprendeu!). Caso eu consiga, algum dia, uma bolsa de estudos universitária para voltar ao país, tanto melhor! Caso não consiga, pelo menos já tive a experiência.
Pois bem: em uma mistura de esperar talvez conseguir uma bolsa, o fato de achar que não sabia alemão bem o suficiente e tentar manejar algo pra quando eu voltar pro Brasil não ficar ao leo, adiei minha viagem até agora. E digo que não me arrependo, mas também, se não for agora, tenho medo de não ser nunca.

Me inscrevi em um site de Au pair, pois a agência da qual eu tanto ouvi falar, por algum motivo, fechou.. O que, de início, me deu mais medo ainda de ir, visto que não teria nenhum respaldo de nenhuma agência, mas, como já disse, era agora ou nunca. Enfim.. faz cerca de duas semanas que me inscrevi e cerca de uma semana que conhecia família que será minha Gastfamilie.. pra ser sincera estou com medo disso, me pareceu tudo muito rápido.. mas algumas pessoas me disseram que as vezes é assim mesmo e que o importante é fazer uma conversa no Skype e assim conhecer um pouquinho sobre eles, e mais que isso não é possível prever o futuro com a família. O que sei é que atualmente estou fazendo de tudo para não criar grandes expectativas, pois eu sei que vida de Au pair não é um mar de rosas.. pelo contrário, dizem que há muitos problemas que enfrentamos todos os dias: seja com estranhamento cultural, seja com a família em si. Se eu quiser conforto, é melhor não sair de casa.. e isso pode, inclusive, me gerar muito mais desconforto futuramente.
Hoje foi meu segundo Skype com a família: as crianças parecem ser muito tímidas, são um menino e uma menina gêmeos, de 10 anos, e um menino de 12... Com o menino de 12 não tive chance nenhuma de conversar, acredito que ele ache que serei tipo uma babá chata que deve ser contratada para seus irmãos mais novos, mas que ele não tem nada a ver com isso... espero me dar bem com ele, independente do que ele pense sobre Au pairs.. também por que serei a primeira dessa família. Os gêmeos de 10 anos já falaram um pouco mais comigo.. acho que foram com a minha cara, mas também não tem como saber, né? Eu mal entendo o que eles falam, pois além da conexão de internet não ser muito boa, eles falam baixinho e com muito sotaque da região.. (pra quem só entende Hochdeutsch é foda, né?). A mãe da família é muito jovem, tem cerca de 33 anos, cheia de percingis e tattoos, e não parece a pessoa mais simpática do mundo, embora aparentemente ame os filhos e fica super feliz quando comento que eles são fofinhos, e o pai.. bom, ele não deu as caras nunca, deve ser um sujeito estranho.